ENTREVISTA
Os mitos da geração digital
A facilidade que os jovens têm de utilizar a tecnologia modifica seus hábitos de consumo. Segundo matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo, uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que eles usam o celular para consultar os amigos até durante as compras. Mas há um porém: o relacionamento da nova geração com as novidades da eletrônica e do mundo digital não é tão óbvia quanto parece. A afirmação é de Raquel Siqueira, diretora da área de Gestão do Conhecimento na Ipsos. Ela foi responsável pelo estudo “Jovens na Era Go Global - Interatividade e Interconectividade”.
eNews: Quando o estudo “Jovens na Era Go Global – Interatividade e Interconectividade” foi publicado e qual seu contexto de desenvolvimento?
Raquel Siqueira: Vim para a Ipsos para criar o departamento de pesquisa qualitativa. Quando tudo estava pronto, montamos, de 2003 para 2004, o Observatório de Tendências. Ele ganhou corpo e percebemos que era possível ter uma área para projetos temáticos. Com isso, em 2007, montei a área de Gestão do Conhecimento, que teve como primeiro trabalho a pesquisa “Jovens na Era Go Global”. O campo desse estudo foi em 2007 e a divulgação também, no meio do ano. Foi um trabalho legal, pois usamos uma metodologia diferente para conseguir entender a questão em profundidade. Quando começamos a pesquisar o tema, percebemos que não havia uma compreensão profunda sobre esses jovens. Até derrubamos alguns mitos em relação ao tema.
eNews: Quais foram os pontos mais interessantes da pesquisa?
Raquel: Foram justamente aqueles que derrubaram mitos. Tendemos a achar que o jovem entende tudo de tecnologia ou que lida tranqüilamente com esse meio. Mas não são todos que entendem de tudo, há uma idealização do jovem. Ele não entende tanto de tecnologia e, muitas vezes, se sente pressionado pelas constantes mudanças do setor. Outro ponto interessante é sobre o fato de esse personagem ser ou não uma incógnita. É comum, na área de pesquisa, ouvir comentário sobre a dificuldade de realizar estudos com esse público. Esquecemos que o jovem de hoje é extremamente parecido, em sua essência, com o do passado, com os mesmos medos e angústias. Compreender o que é ser jovem, independentemente de época, faz você entender como ele se relaciona com a tecnologia.
eNews: Há planos de fazer outras edições do estudo?
Raquel: A idéia é ir mudando o foco. No projeto de tendências, detectamos algumas áreas que mereceriam estudos. Uma era a relação dos jovens com a tecnologia, outra era a mudança da relação familiar, entre pais e filhos, o que resultou no relatório sobre a parentalidade, também publicado no ano passado. Agora percebemos que outro ponto importante é a questão do luxo. Publicaremos um relatório sobre esse tema no meio deste ano. |