ENTREVISTA Perspectivas eleitorais
Em ano eleitoral, empresas de pesquisa ganham destaque. Afinal, estudos qualitativos e quantitativos são ferramentas fundamentais para que os comitês de campanha possam elaborar estratégias eficientes para seus candidatos. Nesta entrevista, Gerson Engrácia Garcia, diretor da Engrácia Garcia, empresa que desenvolve pesquisas de mercado, opinião, sócio-econômicas e eleitorais, fala sobre o mercado de pesquisa eleitoral. Leia.
eNews: Quais são os aspectos mais relevantes deste ano eleitoral para as empresas de pesquisa?
Gerson Engrácia Garcia: Teremos a primeira eleição municipal sob as mudanças na legislação eleitoral em 2006, que proibiram showmício, camisetas e brindes, por exemplo. Por isso, entendo que cada vez mais haverá profissionalização da eleição. O marketing político e a inteligência de campanha passam a ter uma importância muito grande no processo. A pesquisa é uma atividade-meio que gera subsídios sobre os quais os profissionais do marketing político possam atuar.
eNews: No que diz respeito às empresas de pesquisa, quais são as ferramentas mais importantes oferecidas para os políticos e seus partidos?
Garcia: As pesquisas eleitorais são divididas, basicamente, em dois grandes grupos: as quantitativas – divulgadas nos meios de comunicação sobre a posição dos candidatos na campanha – e as qualitativas, relevantes para a estratégia eleitoral. Estas são divididas em focus group (discussão em grupo) e entrevista em profundidade. Destas, a mais utilizada é a discussão em grupo, no qual os participantes assistem aos programas eleitorais, avaliam a postura do candidato, identificam as principais demandas etc.
eNews: Houve modificação em relação às normas de divulgação das pesquisas?
Garcia: Em todas as eleições, o Tribunal Eleitoral elabora diversas resoluções. No nosso segmento, houve o acréscimo da exigência de que as empresas de pesquisa tenham registro junto ao CONRE (Conselho Regional de Estatística). Por outro lado, o uso de enquetes foi flexibilizado, tornando possível a sua utilização sem padrões estatísticos. Isso pode confundir o eleitor. Acredito que ele não conseguirá distinguir enquete de pesquisa. A ABEP trabalha para acabar com essa exigência de ser filiado ao CONRE. A atividade de pesquisa é multidisciplinar, não está relacionada apenas à Estatística. Envolve profissionais de marketing, sociólogos, cientistas políticos etc.
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