ENTREVISTA
Mercado, opinião e mídia globais
Claudia Safatle é diretora-adjunta de redação em Brasília do jornal Valor Econômico.
eNews: Qual a sua opinião sobre a escolha do tema “Brasil profundo, Brasil no mundo” para esta edição do evento?
Claudia Safatle: Foi pertinente, pois não é mais possível enxergar o Brasil como um país fechado para o resto do mundo. Hoje, o comércio internacional é chave para qualquer nação e, sobretudo, para o Brasil, que está a meio caminho de se tornar uma potência em alimentos. Se o comércio é global, mercado, opinião e mídia também devem ter esse enfoque.
eNews: Você assistiu à apresentação do paper “BRIC – Um bloco mundial ou simplesmente uma sopa de letrinhas”?
Claudia: Ainda que o país, por razões diversas, se descole do BRIC, o comércio e a informação continuarão sendo globais. Porém, a menos que o governo faça alguma barbeiragem, não há no horizonte motivos para acreditar que estaremos fora do grupo. Esse conceito, criado, se não me engano, pelo J.P. Morgan, pegou como uma espécie de ranking de quem está na fronteira máxima do crescimento e desenvolvimento no mundo, hoje. Ele envolve o Brasil, Rússia, China e Índia, países que estão em estágios distintos de desenvolvimento.
eNews: De que forma eventos como o Congresso Brasileiro de Pesquisa podem interagir com a grande imprensa?
Claudia: Acredito que a missão do jornalismo econômico é não só informar o que se passa no universo do capital e do trabalho, mas tentar enxergar o futuro, prever problemas, antecipar o que pensam os agentes econômicos, seja governo ou setor privado, e antever medidas e soluções. Nesse sentido, há uma complementaridade com o universo das pesquisas, que, embora sejam feitas com objetivo diferentes, também procuram antecipar tendências, influenciar nas decisões dos consumidores, num tema que acaba sendo economia. O Congresso da ABEP é, assim, uma grande oportunidade para atualizar e horizontalizar todas essas informações, lembrando que informação é mercadoria importantíssima para o trabalho de ambos.
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